"Estou plenamente convencido de que a maior necessidade da Igreja moderna é a volta à pregação sob moldes expositivos... Quanto a esse particular, penso que todos concordarão que a superficialidade é a mais óbvia característica da Igreja moderna." D.M. Lloyd-Jones - 1959
EPÍSTOLA DE TIAGO

OS ANTECEDENTES HISTÓRICOS E CULTURAIS


I – O AUTOR DO LIVRO

1.  Quem é o autor (significado de seu nome)?

Tiago (grego: Iákovos; hebraico: yaqobh) – o mesmo nome de Jacó, que significa: “segurador do calcanhar, suplantador, o que tira vantagem sobre outros pela sua astúcia”.

2. Há provas internas ou externas de autoria?

Na epístola encontramos a declaração que se trata de um escrito de Tiago (1.1).  A tradição cristã tem atribuído ao longo dos séculos a Tiago, um dos irmãos do Senhor (cf. Gl 1.19; Jd 1; Mt 13.55).

3. Quais os outros livros que ele escreveu?

4. Quais outros livros mencionam seu nome ou feitos?

Marcos 3.21 → menciona o fato de no princípio ele não ter aceitado a autoridade de Jesus durante o seu ministério.

1Coríntios 15.7 → relata que Jesus lhe apareceu depois de ressurreto.

Gálatas 1.19; 2.9; Atos 12.17 → o descreve como um dos líderes da igreja cristã de Jerusalém juntamente com Pedro e João.

Atos 1:14 → e ele encontrava-se no grupo de discípulos que receberam o Espírito do Senhor no dia de Pentecostes.

Atos 15.13-23 → ele presidiu sobre o primeiro Concílio de Jerusalém, o qual foi convocado a fim de considerar os termos de admissão de gentios na igreja cristã, e formulou o decreto que foi promulgado às igrejas de Antioquia, Síria e Cicília.

Atos 21.17-21 → é evidente sua forte simpatia cristã judaica por sua solicitação a Paulo quando este visitou Jerusalém pela última vez.

Eusébio, EH, vii.19 → a tradição afirma que ele foi nomeado primeiro bispo de Jerusalém pelo próprio Senhor e pelos apóstolos.

Eusébio, EH, vii.23 → posteriormente, conforme Hegesipo, tornou-se conhecido como “o justo”, por causa de sua fiel aderência à Lei de Deus em sua maneira austera de viver e a dedicação que mantinha à oração. Nesse último ponto, dizia-se que ele tinha os “joelhos de camelo”, por serem muitos calejados na prática da oração.

Josefo, antiguidades xx.9 → registra que ele foi martirizado por apedrejamento às mãos do sumo sarcerdote Anano durante o interregno após a morte do procurador Festo, em 61 D.C. Conforme, a tradição, ordenaram os judeus que de uma das colunas do templo proclamasse que Jesus não era o Messias, mas, ao invés de falar assim, ele anunciou à multidão que Cristo era o Filho de Deus e Juiz do mundo. Enraivecidos o lançaram ao chão e o moeram com pancadas, até que não estando ainda completamente morto, acabaram de matá-lo com pedradas.

5. Qual era a sua profissão?

Sendo Jesus, o filho primogênito, automaticamente seria o cabeça da casa. Desde que era um "filho de carpinteiro" (Mt 13.55), que tinha trabalhado e se tornado ele próprio um carpinteiro (Mc 6.3), seria natural supor que Tiago teria continuado na mesma profissão.

6. Que tipo de pessoa ele era?

(a) exercia sua liderança na igreja com autoridade; (b) foi um dos pilares da igreja de Jerusalém juntamente com Pedro e João; (c) zeloso quanto à Lei de Deus; (d) homem de oração que viveu até o seu último momento de vida dedicando-se a orar pelas igrejas cristãs da Ásia.


II – OS DESTINATÁRIOS DO LIVRO

1. A que grupo racial o livro se dirige (judeus, gentios)?

Como epístola geral a carta não se dirige a uma igreja específica, mas, com quase toda certeza escrita para um público específico. Conforme os diversos aspectos da carta deixa-se claro que os destinatários eram cristãos judeus que viviam fora da palestina.

2. Qual a perspectiva religiosa deles?

A julgar pelos vários assuntos contidos na epístola a exortação de Tiago vem ao encontro de alguns erros presentes na comunidade de cristãos judeus que mesmo dispersos de Jerusalém, haveriam de se sentir cuidados (arrebanhados) por ele; ou seja, na carta ele relata uma perspectiva religiosa em que seus ouvintes não poderiam viver acomodados ou acomodando sua fé em uma forma (espécie) de religião (religiosidade) sem a prática da palavra de Deus. Ao contrário dessa realidade ameaçadora, os cristãos judeus deveriam dar provas claras de sua fé em Cristo vivendo-a conforme a palavra de Deus, daí a máxima: “A fé sem a obra é morta” (2.26).

3. Que palavra (s) é (são) usada (s) para caracterizá-los?

A indicação dos destinatários da carta conforme (1.1), oferece informações mais detalhadas: “às doze tribos dispersas entre as nações” (NVI). Embora a palavra (diáspora, dispersão), tenha adquirido um sentido metafórico, podendo caracterizar os cristãos em geral como aqueles que viviam longe de seu verdadeiro lar celestial (1Pe 1.1), é aceito conforme a data antiga e o caráter judaico da carta favorecer o sentido mais literal da mesma. Nesse sentido, a expressão “às doze tribos dispersas entre as nações” era empregada para denotar judeus que viviam fora da palestina (Jo 7.35).

4. Qual era a posição social deles (pobreza, nobreza)?

Trechos tais como (5.1-6) dão a impressão de que a maioria dos leitores era pobre, embora se possa alegar com bons argumentos que (1.9-11; 2.1-4 e 4.13-17), pressupõem a presença de alguns cristãos mais ricos entre os leitores.

5. Quem eram seus líderes?

Se for levado em conta, uma data mais recuada para a origem da epístola, esta poderia ser considerada o primeiro livro do Novo Testamento a ser escrito. Considerando este fato, bem como, a ausência de qualquer alusão a uma controvérsia judaizante (o que ocorrera posteriormente com o Concílio de Jerusalém – 49 D.C.), e o tom tipicamente judaico da epístola é tido como prova implícita de que, ao ser escrita, o cristianismo não se expandira para fora da Palestina, o que significa dizer que identificar os leitores de Tiago com esses primeiros cristãos pode nos proporcionar uma explicação quanto a quem era (m) seu (s) líder (es): Tiago o líder da igreja em Jerusalém, precisou ministrar por meio de carta a seu rebanho disperso, o cuidado diante das circunstâncias que colocavam em prova a fé desses novos cristãos dispersos pela Palestina.

6. De que eles viviam?

A situação econômica do império romano era marcada por um grande desenvolvimento econômico, particularmente no comércio. Os artesãos das cidades (At 18.3), os agricultores dos campos, os negociantes dos centros urbanos, os traficantes dos mercados inter-regionais e toda a espécie de negócios conheciam a prosperidades onde os ativos e espertos enriqueciam depressa. Grandes edificações como templos, ginásios, estádios, basílicas, teatros, praças e pórticos demonstram que as caixas do Estado e das cidades romanas tinham abundantes recursos. Desta forma, os novos ricos faziam papel de macenas das artes e da cultura. A plebe das grandes cidades geralmente encontrava trabalho e com isto o pão necessário para a vida. Em toda a parte se ostentava o luxo dos privilegiados da fortuna; quanto aos miseráveis (e eram em bom número), recebiam do Estado sua ração de carne, trigo e azeite. Entendendo este cenário econômico do mundo romanizado, podemos entender como poderiam estar vivendo os cristãos judeus mais pobres ou ricos a quem Tiago direciona a sua epístola.


III – A DATA E A ÉPOCA DO LIVRO

1. Em que ano o livro foi escrito?

A data mais provável para a carta de Tiago seria em algum momento no início ou meados dos anos 40 D.C. Essa data harmoniza-se muito bem com as circunstâncias e ênfases da carta. Nesse sentido há de se observar que não há nenhum indício de conflito entre cristãos judeus e gentios (o que seria de se esperar se a mesma tivesse sido escrita depois do Concílio de Jerusalém – 48 ou 49 d.C.); além disso, observa-se que a teologia da carta é relativamente pouco desenvolvida, o que contribui para o entendimento de que o período de sua escrita teria se dado em momento em que o ensino de Paulo começa a ter influência e Tiago ainda não ter se encontrado com Paulo por ocasião do referido Concílio (At 15).

2. Que guerra, ação inimiga ou catástrofe natural ameaçava ou aconteceu?

3. Que líder secular dominava o cenário político?

O imperador romano na ocasião em que a carta foi escrita era Claudio (41 d.C a 54 d.C.). Quanto aos que governavam na época, é preciso entender que a Palestina, durante as vidas de Jesus e de Paulo, foi governada, principalmente, pela Dinastia Herodiana; contudo, este quadro não é tão simples, já que esta região estava subdividida em outras que, neste período, possuíram formas de governo e administração distintas. Como exemplo, de 6 d.C. até 41 d.C, a Judéia, Samaria e a Induméia passaram a ser administradas diretamente por procuradores romanos. Claudio fez de Herodes Agripa I rei da Judéia (At 12.1-23). Este neto de Herodes governou esta região entre 41 a 44 d.C. Após este período, a administração voltou para as mãos dos procuradores romanos. Faz-se importante ressaltar que as questões internas da comunidade judaica, contudo, mesmo sob a administração romana, eram resolvidas pelo Sinédrio, tribunal presidido pelo sumo-sacerdote e formado por 71 membros (anciões, sumo-sacerdotes depostos, sacerdotes do partido dos saduceus e escribas fariseus), com sede em Jerusalém. Provavelmente instituído ainda no século III a.C., no século I d.C. possuíam atribuições jurídicas: julgavam os crimes contra a Lei Mosaica, fixavam a doutrina e controlavam todos os aspectos da vida religiosa. Em todas as cidades e vilas da Palestina também existiam pequenos sinédrios formados por três membros que cuidavam de questões locais (Mt. 5:25).


IV – O CONTEXTO GEOGRÁFICO DO LIVRO

1. Quais países e cidades se destacam no livro? Que locais específicos são enfatizados?

2. Que rio(s), montanha(s) ou planície(s) forma(m) o palco onde Deus atua para se revelar?

V – AS AFIRMAÇÕES ARQUEOLÓGICAS DO LIVRO

1. Quais objetos ou inscrições arqueológicas confirmam os eventos e/ou personagens do livro?

Ossuário de irmão de Jesus é encontrado.


O ossuário de Tiago pesa 25 kilos, tem 50 centímetros de comprimento e 25 centímetros de altura. A caixa mortuária é a primeira conexão física e arqueológica com o Jesus do Novo Testamento, contendo os dizeres "Tiago filho de José, irmão de Jesus". 


VI – O CENÁRIO CULTURAL DO LIVRO

1. Quais superstições, tabus ou elementos de magia aparecem?

2. Qual o valor conferido à família?

3. Quais costumes aparecem quanto à alimentação, vestuário, comércio, guerra, religião, idioma etc.?

A prática do uso do óleo para ungir os enfermos.

4. Qual o código ético/moral demonstrado?

O mau uso da língua; a maledicência, a censura ao julgamento alheio; a injustiça social (o acumulo de bens e o menosprezo aos mais pobres); o preconceito social (acepção de pessoas no convício com os mais pobres na igreja); o juramento proibido em detrimento a sinceridade no falar.

VII – O TEMA TEOLÓGICO DO LIVRO

1. Qual o assunto geral do livro (salvação, santificação, julgamento)?

A prática da fé

2. Que frase ou combinação de palavras se repete; que tema isto sugere para o livro?

Provação, Perseverança, praticantes, fé, obras

Tema sugerido ao livro  “A PRÁTICA DA FÉ EM DIAS ATUAIS"

3. Segundo os livros técnicos, qual seu tema?

ü Religião pura
ü A conduta cristã na vida diária
ü Os padrões do homem piedoso
ü Perseverança, obra perfeita da fé
ü A fé manifestada pelas obras

A DEFINIÇÃO DOS PARÁGRAFOS DA PREGAÇÃO

Alteração de parágrafos e títulos no livro

1. Apresentação e lembrança (1.1)
2. Perseverança nas provações (1.2-4)
3. Para alcançar sabedoria (1.5-8)
4. A transitoriedade dos bens terrenos (1.9-11)
5. Provação e tentação (1.12-15)
6. A imutabilidade do amor de Deus (1.16-18)
7. Ouvindo e praticando a palavra (1.19-27)
8. As diferenças sociais na igreja (2.1-13)
9. As obras que provêm fé (2.14-26)
10. O falar cristão (3.1-12)
11. A verdadeira sabedoria (3.13-18)
12. A origem da inimizade na igreja (4.1-10)
13. O pecado da maledicência (4.11-12)
14. A dependência em Deus (4.13-17)
15. Riquezas mal adquiridas são requeridas por Deus (5.1-6)
16. Exemplos de paciência a ser seguido por todos (5.7-11)
17. Advertência e recomendações para a vida cristã (5.12-20).